Nos últimos meses, foi gerada uma polêmica sobre a fosfoetanolamina, substância apontada por alguns pesquisadores como a cura do câncer. Diversos experimentos em animais foram realizados e, dentre eles, um em camundongo que apresentou resultados positivos contra um tipo de melanoma (que pode ser acessado clicando aqui). Contudo, estudos clínicos não foram realizados com a fosfoetanolamina, logo, ela não pode ser comercializada como medicamento.

No centro da discussão está a Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos. Após a pesquisa coordenada pelo Dr. Gilberto Chierice, a USP forneceu as cápsulas com a substância até 2014, quando uma liminar impediu-a de distribuir a droga (Portaria IQSC 1389/2014), além de proibir a extração, produção, fabricação, transformação, sintetização, purificação, fracionamento, embalagem, reembalagem, armazenamento e expedição de drogas com finalidade medicamentosa sem apresentação das devidas licenças. Alguns pacientes recorreram ao STF para cassar essa liminar, e conseguiram ter acesso à fosfoetanolamina, obrigadando a USP a distribuir as cápsulas.

Alguns médicos são contra a distribuição das substâncias. O Dr. Volney Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, em entrevista ao programa Domingo Espetacular da Record afirma que “nenhum paciente deve receber essa medicação, pois ela não foi aprovada para tratamento de pacientes com câncer, não foi testada clinicamente e nenhum médico está autorizado para prescrever essa medicação”. Com visão semelhante, o Dr. Drauzio Varella no programa Fantástico da Globo alerta que esse tipo de processo, em que testes em uma espécie habilitam o medicamento para ser utilizado em outra espécie, não é realizado nem na Medicina Veterinária.

Independente das especulações sobre a substância, o fato é que sem os testes clínicos necessários, uma substância não pode ser comercializada ou distribuída como medicamento. Há riscos de toxicidade, de efeitos colaterais e outros fatores que devem ser testados, o que ocorre durante um teste clínico. Sem os testes, todos os benefícios do medicamento são colocados em xeque, e sua prescrição não é recomendada.