Os exercícios físicos são importantes terapias para muitas doenças humanas, como diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e neurológicas, no entanto para diversas pessoas o tratamento por exercícios não é viável.

Sabe-se que moléculas sintéticas que propiciam alguns benefícios do exercício físico, como queima de gordura ou aumento da resistência muscular, já existem. Porém estas moléculas replicam pouco dos efeitos benéficos dos exercícios e requerem a prática de exercícios para que tenham efeito, assim sendo inviáveis para pacientes que possuam algum problema que lhes incapacite a prática física.

Neste âmbito, novas pesquisas vêm tornando cada vez mais plausível o desenvolvimento de uma droga que mimetize os múltiplos efeitos benéficos dos exercícios físicos sem o requerimento da prática do mesmo.

Cientistas do Instituto Scripps desenvolveram um composto que aumenta os níveis de uma proteína relacionada relógio biológico, que envolve o ciclo de sono e vigília, atividade digestiva, produção de hormônios, regulação térmica e diversos outros processos que se repetem diariamente em qualquer ser vivo. Eles viram que após receberem tratamento com este composto, os camundongos apresentaram melhora na perda de peso, utilizaram mais oxigênio e gastaram mais energia em relação ao grupo controle. O interessante do estudo foi que os camundongos que foram tratados não possuíam uma rotina de exercícios, e muitas vezes, segundo os pesquisadores, eram mais preguiçosos que os animais do grupo controle.

Em outro estudo mais recente, pesquisadores da Universidade de Sidney em conjunto com pesquisadores da Universidade de Copenhagen identificaram cerca de 1.000 alterações moleculares que ocorrem em nossos músculos quando fazemos exercícios. Os cientistas especulam que essas alterações detectadas poderiam ser a chave para o desenvolvimento de uma droga que possa ter efeitos análogos àqueles obtidos com a prática de exercícios.

No entanto, ainda são necessários mais alguns anos para que tais drogas passem a ser produzidas, tendo em vista que essas precisariam ter como alvo diversas moléculas ao mesmo tempo.

Mesmo ainda longe de serem produzidas, os potenciais usos destas drogas já são vislumbrados. Especula-se que estas poderiam ser utilizadas como coadjuvante em procedimentos fisioterapêuticos ou no tratamento da Diabetes tipo II e até mesmo para evitar a atrofia muscular em pacientes com alguma paralisia ou disfunções musculares.